"HUMILDADE E PODER"

A humildade é o senso de inferioridade que permeia a consciência do cristão quando ele contempla a santa majestade e o superabundante amor de Deus em contraste com o seu próprio desmerecimento, sua culpa e sua total desvalia, que é a sua condição sem a graça divina.

Pior que a falta de humildade é a falsa humildade, pois ela faz a pessoa se sentir orgulhosa por agir de modo humilde. No primeiro século, havia alguns mestres em Colossos chamados gnósticos. Eles afirmavam que era possível atingir-se uma perfeição superior à capacidade dos cristãos comuns por meio de conhecimento especial (“gnosis”), bem como pela observância da circuncisão judaica, dos dias de festas, das luas novas e dos sábados. E ainda acrescentavam seus próprios preceitos e rituais a estas observâncias judaicas. O apóstolo Paulo estigmatizou isso como falsa humildade que avilta o verdadeiro culto que só a Cristo é devido: “Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado sem motivo algum na sua mente carnal… Tais coisas, com efeito, tem aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e falsa humildade, e rigor ascético; todavia, não tem valor contra a sensualidade.”(CL.2:18-23).

Jesus Cristo, o nosso Supremo exemplo, levou uma vida de humildade. O Senhor da terra e céu revestiu-se das roupagens de um indivíduo rústico! Ele, que derramou das águas em todos rios da terra o Amazonas, o Eufrates, o Nilo, o Mississipi – inclinou-se sobre um poço para pedir a uma mulher samaritana um gole d’água. Ele, que estendeu o pálio dos céus e colocou a terra como escabelo dos seus pés, passou a noite em casa de Simão. Ele, cujas carruagens são nuvens, caminhou com os pés doloridos. Veja-o acalmando a tempestade na Galiléia, passando a mão no rosto para limpar as gotas de água do mar e depois se sentando ao lado dos discípulos como se não tivesse feito mais do que enxugar o suor do rosto na carpintaria do pai.

Ele expulsou a morte do coração de Lázaro e quebrou as correntes dela batendo-as contra o mármore do túmulo. E depois disso saiu caminhando com Maria e Marta sem outras pretensões que a de um cidadão comum, dirigindo-se à casa de amigos para passar a tarde. Veja-o ser empurrado como se tratasse de um qualquer, ser perseguido como se fosse um criminoso, receber epítetos zombeteiros – sentado entre ladrões e pecadores. Ele era o Rei do céu e da terra, mas a aba de suas vestes se arrastavam na poeira!

Somente quem se sujeita a tomar o lugar de servo e deixa Cristo derramar seu poder nele, continuamente estará capacitado para, deliberadamente, exercer uma influência especial neste mundo carente e sem a Glória de Deus!



Estudo do Rev. Magno Vinícius Paterline - REPRODUZIDO  POR PR ANDRÉ CARVALHO